Diário da garota do espelho
escritos perdidos e imagens de sonhos da mesma(?)garota de um lado, e do outro lado do espelho. Tamara no país dos espelhos, a gente enxerga o mundo através de um espelho, o espelho da mamãe Oxum, o espelho da madrasta, espelho, espelho meu...
Quem sou eu
- Nome: garota do espelho
- Local: São Paulo, Brazil
Uma garota, uma menina, uma mulher, um reflexo no espelho, uma imagem, uma ilusão...
1/12/2007
12/10/2006
12/09/2006
"Como nasceu a Alegria"
Ando apaixonada pelo Rubem Alves, pode parecer besteira, mas sabe quando tudo que você está precisando ouvir vem da mesma pessoa, tem sido assim com os textos dele.
Então vou contar uma historinha, é dele, de um livro infantil chamado “Como nasceu a alegria” e o desenho ao lado pretende ser uma ilustração da história, que estou fazendo como trabalho final no meu curso de ilustração. Vou re-contar, com as minhas palavras, e não vejo problema algum, tendo em vista que uma das finalidades do livro e mesmo ser usado por contadores de história.
Muitos e muitos anos atrás, a Terra era um jardim, anjos e elefantes regavam tudo, todos os dias, carregando a água das nuvens até o jardim, essa era sua primeira tarefa, todos os dias. Se esquecessem as plantinhas morreriam secas, e por prevenção Deus encarregou o galo de cantar todos os dias pela manhã bem cedo, só para acordar os anjos e os elefantes, e é por isso que os galos cantam até hoje, todos os dias, pela manhã bem cedo.
Nesse tempo a Terra era povoada por milhares de flores, todas igualmente lindas, e igualmente vaidosas, que passavam os dias a se exibir e a perguntar, umas às outras:
- Não sou eu a mais bela de todas?
Só que nunca havia resposta, apenas perguntas, pois cada qual se achando a mais bela sequer ouvia a voz das demais. Fazendo de todas igualmente infelizes, igualmente lindas e infelizes.
Um dia, um dia desses como outro qualquer, aconteceu uma coisa inesperada, uma florinha, que crescia em botão, que como todas as outras prometia ser igualmente linda e infeliz, ao desabrochar cortou uma pétala em um espinho, ela nem ligou, nem sentiu dor, e vivia normalmente com sua pétala partida.
A florinha não via problema em sua pétala partida, mas as demais flores logo começaram a comentar, e a olha-la com olhos de espanto. Isso sim incomodava a florinha, e começou a faze-la sentir-se mal, achar-se esquisita, sentir-se triste.
Estava cansada de explicar que tinha nascido assim, cansada de ser tratada diferente, e foi ficando triste, triste, triste, até que chorou.
Era a primeira vez que alguém chorava, até então as flores lindas e infelizes não choravam, e a terra levou um susto ao sentir o toque da lágrima quente. A terra chamou a árvore, contou da florinha que chorava, e chorou também. A árvore chamou os pássaros, contou da florinha que chorava, e chorou também. Os pássaros voaram até as nuvens, contaram da florinha que chorava, e choraram também. E as nuvens choraram também. Suas lágrimas se transformaram em pingos de chuva, a primeira chuva do mundo, e molharam tudo. Os anjos ao verem a chuva procuram saber o que estava acontecendo, e ao saber da florinha que chorava contaram a Deus, e choraram também.
Deus também era uma flor e sua dor foi tão grande que, como se fosse um espinho, cortou uma de suas pétalas, ficando igualzinho a florinha.
Com essa primeira chuva veio o arco-íris, formado pela boca de choro do Sol comovido, e formaram-se os rios. Dos rios formaram-se os mares e foram povoados por todo tipo de animal de água, grande e pequeno.
Quando a florinha abriu os olhos espantou-se com aquela confusão, estava tudo diferente, e era tudo por sua causa, nunca pensara ser tão querida. Sua tristeza foi se transformando, seu coração foi ficando quentinho, e ela sorriu.
As flores lindas e infelizes nunca haviam sorrido, por isso ninguém sabia que quando uma flor sorri ela tem perfume, o perfume é o sorriso da flor. E esse perfume foi chamando bichos, abelhas, beija-flores, borboletas, crianças... Todos vieram beijar a única flor perfumada, a florinha que sorria, pois lá dentro ela era doce e virava mel.
A pétala da florinha continuou partida, o que mudou não foi a diferença (graças a Deus somos todos diferentes), mas os olhos. Esta é a história do nascimento da alegria, alegria que tem perfume, mas que nasceu do choro e da tristeza.
Hoje os anjos e elefantes não precisam mais regar a Terra, pois o ciclo da alegria continua a trazer chuvas, e vida.
Ando apaixonada pelo Rubem Alves, pode parecer besteira, mas sabe quando tudo que você está precisando ouvir vem da mesma pessoa, tem sido assim com os textos dele.
Então vou contar uma historinha, é dele, de um livro infantil chamado “Como nasceu a alegria” e o desenho ao lado pretende ser uma ilustração da história, que estou fazendo como trabalho final no meu curso de ilustração. Vou re-contar, com as minhas palavras, e não vejo problema algum, tendo em vista que uma das finalidades do livro e mesmo ser usado por contadores de história.
Muitos e muitos anos atrás, a Terra era um jardim, anjos e elefantes regavam tudo, todos os dias, carregando a água das nuvens até o jardim, essa era sua primeira tarefa, todos os dias. Se esquecessem as plantinhas morreriam secas, e por prevenção Deus encarregou o galo de cantar todos os dias pela manhã bem cedo, só para acordar os anjos e os elefantes, e é por isso que os galos cantam até hoje, todos os dias, pela manhã bem cedo.
Nesse tempo a Terra era povoada por milhares de flores, todas igualmente lindas, e igualmente vaidosas, que passavam os dias a se exibir e a perguntar, umas às outras:
- Não sou eu a mais bela de todas?
Só que nunca havia resposta, apenas perguntas, pois cada qual se achando a mais bela sequer ouvia a voz das demais. Fazendo de todas igualmente infelizes, igualmente lindas e infelizes.
Um dia, um dia desses como outro qualquer, aconteceu uma coisa inesperada, uma florinha, que crescia em botão, que como todas as outras prometia ser igualmente linda e infeliz, ao desabrochar cortou uma pétala em um espinho, ela nem ligou, nem sentiu dor, e vivia normalmente com sua pétala partida.
A florinha não via problema em sua pétala partida, mas as demais flores logo começaram a comentar, e a olha-la com olhos de espanto. Isso sim incomodava a florinha, e começou a faze-la sentir-se mal, achar-se esquisita, sentir-se triste.
Estava cansada de explicar que tinha nascido assim, cansada de ser tratada diferente, e foi ficando triste, triste, triste, até que chorou.
Era a primeira vez que alguém chorava, até então as flores lindas e infelizes não choravam, e a terra levou um susto ao sentir o toque da lágrima quente. A terra chamou a árvore, contou da florinha que chorava, e chorou também. A árvore chamou os pássaros, contou da florinha que chorava, e chorou também. Os pássaros voaram até as nuvens, contaram da florinha que chorava, e choraram também. E as nuvens choraram também. Suas lágrimas se transformaram em pingos de chuva, a primeira chuva do mundo, e molharam tudo. Os anjos ao verem a chuva procuram saber o que estava acontecendo, e ao saber da florinha que chorava contaram a Deus, e choraram também.
Deus também era uma flor e sua dor foi tão grande que, como se fosse um espinho, cortou uma de suas pétalas, ficando igualzinho a florinha.
Com essa primeira chuva veio o arco-íris, formado pela boca de choro do Sol comovido, e formaram-se os rios. Dos rios formaram-se os mares e foram povoados por todo tipo de animal de água, grande e pequeno.
Quando a florinha abriu os olhos espantou-se com aquela confusão, estava tudo diferente, e era tudo por sua causa, nunca pensara ser tão querida. Sua tristeza foi se transformando, seu coração foi ficando quentinho, e ela sorriu.
As flores lindas e infelizes nunca haviam sorrido, por isso ninguém sabia que quando uma flor sorri ela tem perfume, o perfume é o sorriso da flor. E esse perfume foi chamando bichos, abelhas, beija-flores, borboletas, crianças... Todos vieram beijar a única flor perfumada, a florinha que sorria, pois lá dentro ela era doce e virava mel.
A pétala da florinha continuou partida, o que mudou não foi a diferença (graças a Deus somos todos diferentes), mas os olhos. Esta é a história do nascimento da alegria, alegria que tem perfume, mas que nasceu do choro e da tristeza.
Hoje os anjos e elefantes não precisam mais regar a Terra, pois o ciclo da alegria continua a trazer chuvas, e vida.
12/06/2006
“Falar com Deus” (Não sei se acredito, mas é prática essa coisa de poder se reportar diretamente a um Deus único, e se o Gil pode porque eu não?).
Olha Deus, é o seguinte, chega desse negócio de levar as pessoas que eu amo.
Ok, eu já aprendi a perder, vamos passar pra próxima lição.
Já aprendi também que não é não se apegando a ninguém que a gente evita a perda, não vou mais recorrer a esta estratégia, vamos passar pra próxima lição.
Já aprendi que não é por não estarem mais aqui fisicamente que eles deixam de estar dentro de mim, mas sei que preciso de algumas pessoas aqui, então chega!
Tô ligada que não sou o centro do universo, que tudo isso não é só uma lição pra mim, mas sou o centro da minha vida, e preciso de paz pra bota-la nos eixos e preciso acreditar no meu livre arbítrio para ter vontade de viver, então me deixa viver aqui na minha, e vê se não me incomoda.
Desculpa incomodar, não sou de pedir nada a ninguém, mas é que estou achando isso um tanto repetitivo.
12/03/2006
“É preciso um bocado de tristeza”
Tantas vezes ouvi isso, tantas vez cantei, e foi numa conversa despretensiosa que entendi.
Não é só pra fazer samba, o samba é uma metáfora da vida.
Ontem foi o Dia Nacional do Samba. Ok! Isso não tem nada a ver, mas achei que devia escrever...
12/01/2006
Não tenho escrito porque não tenho o que dizer, só ficar calada e viver no automático já tem dado trabalho o suficiente, desculpem mas este é o diário de uma pessoa de luto.
O negócio é continuar sonhando e continuar me encontrando, mesmo que seja diferente do esperado, e mesmo que minhas referências não estejam mais por perto.
Minha voz é de menina, de mocinha a moda antiga. A pessoa que achei é bem diferente da esperada, não por achar que mulher tem que ser isso, mas por achar que mulher pode ser o que quiser, inclusive isso, essa pessoa que lava louça, lava o chão, faz feira e faz comida, tudo com o coração. Essa menina que ainda sonha ser a professorinha, a mãe e a mulher.
O negócio é continuar sonhando e continuar me encontrando, mesmo que seja diferente do esperado, e mesmo que minhas referências não estejam mais por perto.
11/26/2006

pedaço de pinche basura...
Estava querendo postar um desenho então escolhi este aqui, a idéia do blog foi ter um espaço pra mostrar tanto o que eu escrevesse quanto o que eu desenhasse, só que nem sempre essas as duas formas de expressão conseguem conversar. Então hoje me deparei com este problema, escolhi este desenho, mas o que queria escrever não tinha nada a ver, o que fazer?
Não tem problema, vocês entendem, é assim mesmo, a gente é uma porção de pedacinhos que às vezes parecem não ter nexo.
Somos um simples “pedaço de pinche basura...”, disse Lia outro dia, aqui em um comentário, eu já vinha sentindo falta de uma expressão em português, uma expressão para o “I’m a mess” que sempre ouvi nos filmes e na TV norte-americana. Temos o “estou um lixo”, mas não só consigo usar quando se trata da aparência exterior, ou “estou uma meleca”, que me parece bem simpático, mas nunca ouvi da boca de outra pessoa.
Eu queria ter uma forma de avisar que “estou uma bagunça” (essa com certeza seria uma expressão apropriada e não pela só tradução tosca, mas não é simpática, ou usual), nesse sentido de desorganização psicológica mesmo.
Parece tão necessário avisar, como a sinalização de “piso molhado” ou “em obras”, uma questão de respeito ao próximo, que se desavisado terá que lidar com a nossa bagunça, e acabar se melecando também.
Tenho pudor de mostrar esse lado bagunçado, vontade de varrer a sujeira pra baixo do tapete antes que as visitas cheguem, esconder a bagunça da casa para o dia da festa. Gostaria de poder usar um aviso de “piso molhado” na testa e passar pelo mundo sem melecar a vida de mais ninguém, mas não tem jeito, não temos como viver sozinhos, e os outros ainda podem ajudar a arrumar a casa para curtir a festa junto.
Talvez esse seja o nexo com a figura aí ao lado, criei essa mulher, para ser sozinha, para ser dona do próprio mundo, forte, determinada, mas sozinha, não uma mulher, uma deusa inatingível. Tento, e gosto de brincar de passar essa imagem, personagem, por baixo do qual está a pessoa real.
He he, foi tosco, mas construí um link com o desenho!!!


